Estive na capital brasileira entre os dias 27/09 e 03/10 deste ano. Realizei lá o Estágio-Visita na Câmara dos Deputados, no qual, durante uma semana aprendi sobre o funcionamento da Casa, vi o trabalho dos deputados, de seus assessores, assisti a plenárias na Câmara e no Senado.
Há algum tempo estou tentando escrever aqui, mas não tenho tido muito tempo. Pois bem, aqui estou agora. Vi algumas coisas interessantes e revoltantes durante o período, e quero compartilhar isso.
Estive no CEFOR (Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento) acompanhando diversas palestras de profissionais da Câmara, parlamentares, etc, que a meu ver, e de alguns dos presentes, que entrevistei e conversei, eis mais um programa em busca de melhorar a imagem da Câmara de Deputados. Mais que isso, um programa que tenta mostrar que nós também somos culpados da corrupção que há na Casa, e na minha opinião, uma ação que tenta fazer com que nos calemos vendo nossos erros e nos conformando com a nossa culpa pelos erros deles.
Dentre os 50 alunos lá, boa parte era filho, funcionário, amigo, conhecido ou amigo de conhecido de algum parlamentar, e por isso ganhou indicação. Antes de continuar meu relato, vou explicar como consegui fazer parte do programa.
Um dos 513 Deputados Federais resolveu fazer um sorteio com os interessados em participar que se cadastraram no site dele. Como ele divulgou na faculdade, fiquei sabendo, me inscrevi e fui sorteada.
Continuando. Visitei também o STF, sinceramente? Não curti. Baita programa apenas para os estudantes de direito. Falando nisso, de acordo com minhas estatísticas visuais, 85% dos alunos presentes faziam faculdade de direito.
Saindo do STF, logo em frente, existia uma manifestação. Como jornalista, curiosa por natureza, fui perguntando para as pessoas, seguranças, outros jornalistas por perto se sabiam o que era. Ninguém soube me dizer. Fui perguntar aos manifestantes. Eram pacientes de manicômios. Fiquei lá conversando com eles, para entender o motivo de estarem ali. Enquanto falava com eles um outro segurança chegou em mim e disse que eu me afastasse, pois eram “doentes mentais”, e poderia ser perigoso.
O preconceito é uma coisa que realmente me incomoda. Me incomoda muito. Sou filha de descendente de alemão com descendente de negro+índio+português+de tudo um pouco. Sou, como boa brasileira, fruto da diversidade. Além disso, minha mãe teve rubéola enquanto estava grávida de mim, e era grande a possibilidade da criança, neste caso, eu, nascer com com problemas como surdez, lesões cardíacas, problemas oculares, distúrbios no desenvolvimento neuro-motor, baixo peso, problemas ósseos, retardo mental e outros males.
Se eu tivesse nascido com retardo mental, poderia quem sabe, estar entre aquelas pessoas que protestavam e às quais aquele segurança se referiu. Aquilo me deu um desconforto tão grande, aquela fala preconceituoso, sem piedade daquele homem. Não me contive e respondi. “Não se preocupa moço, eu não tenho preconceito”.
Aqui algumas fotos da manifestação e do grande “símbolo da justiça” ao lado. Continuo contando minha experiência em um próximo post.
Só queria deixar isso aqui para que vocês pudessem refletir um pouco.
Um abraço.







