Então você entra no ônibus, e do seu lado senta aquela criança irritante, que além de ter uma massa corporal que ocupa o lugar dela e o seu, ainda fica lendo o que você está começando a escrever sobre ela para postar no seu blog.

O ônibus balança e balança enquanto desce a Avenida Brigadeiro Luís Antônio, que hoje, por um milagre do destino, está vazia.

A criança irritante continua olhando o seu texto e você não sabe se fica ainda mais indignada, ou se dá risada da cara dela.

Você já está a ponto de olhar para aquela criatura insuportável e dizer “mas bah que piá chato que você é”. Mas a mãe da “coisinha” está junto e você acha melhor não falar nada.

Então o ser de massa em excesso aumenta o volume da música em seu celular e tenta dormir, por que já leu parte do seu texto, e não deve ser tão ignorante a ponto de não perceber que se tratava dele.

Você ri por dentro e dá graças a Deus por já estar chegando ao seu destino, e porque irritou mais à criança do que ela a você.

Então você guarda o bloco, dá um sorriso, pede “com licença” à “amável” criatura, desce no seu ponto, e assim que chega em um computador, você posta o texto no seu blog.