Abaixo segue texto que escrevi durante processo seletivo para um estágio de assessoria.


“Os desafios do jornalismo na internet”

Por Tatiane Leiser

Em um mundo de imediatismo as pessoas não esperam a informação, vão à busca dela. Por conta disto o tempo para coleta de dados e confirmação de fontes tem sido cada vez mais escasso para os jornalistas de web que tentam atender a toda a demanda de informação.

O “porquê” e o “como” ficam cada vez mais de lado devido à alta velocidade com que correm as notícias e a necessidade de publicar antes do veículo concorrente. O “o quê” é o foco, e algumas vezes a única informação. O importante parece ser apenas publicar.

Além da concorrência com os sites das outras empresas há também a “concorrência” com o jornalismo participativo, que ocorre em muitas vezes através dos blogs e é realizado por “não jornalistas”.

Tentando não perder espaço, o jornalismo dos grandes portais de comunicação vem trazendo este jornalismo participativo para dentro de sua redação a fim de vencer o desafio de alcançar o maior número de notícias. Mas para que tudo aconteça realmente rápido, muitas vezes antes se publica e depois se verifica e se põe à margem da boa índole do leitor que envia a notícia.

Ser instantâneo e publicar com a máxima veracidade é o grande desafio dos portais de comunicação que lutam diariamente para alcançarem as expectativas do leitor que consome cada vez mais e mais informação e em cada vez menos tempo.

Um site que após uma atualização de página não tem nada de novo para contar, perde sua audiência para a concorrência, e recuperá-la e a parte mais difícil.

Não há tempo para que os jornalistas saiam às ruas, e pouquíssimas são as vezes que há tempo para ligações para fontes distintas para confirmações de dados e para a elaboração de um texto mais preciso e mais explicativo.

A linguagem buscada pelo leitor de web é diferente da de um leitor de jornal impresso; a publicação antes diária passou a ser minuto a minuto. Somado à busca incessante por informação, o jornalista relata os fatos para um leitor de uma sociedade imagética que não se contenta apenas com textos como “quer ver para crer”, como fala o dito popular.

Muitos erros são cometidos pelas redações por conta disso. Pode-se citar dois bons exemplos, um deles é a foto de uma pessoa no prédio atingido pelo avião da TAM que foi publicada pelo portal da UOL após ser enviada por um leitor e que pouco depois teve que ser retirada do ar, pois se descobriu tratar-se de uma fotomontagem. Outro caso foi um incêndio próximo ao aeroporto de Congonhas que foi relatado como a queda de um avião de pequeno porte, mas só se tratava de um incêndio em uma fábrica de colchões.

Em épocas como a atual, grande momento de tensão econômica, erros como estes tendem a aumentar, pois as empresas estão demitindo os poucos jornalistas que já não davam conta de tanta informação. O real desafio do jornalismo da internet vai ser o de continuar sendo o jornalismo ensinado pelas entidades de ensino, o jornalismo que consulta fontes, o jornalismo que verifica dados, o jornalismo feito por jornalistas.